Puerpério, o que é isso? Uma palavra difícil que dá nome a uma fase igualmente complexa e maravilhosa da vida das recém-mamães entrando no universo da maternidade.

Puerpério é o nome do período que se inicia logo após o parto em que o corpo feminino retorna ao “status pré-gravídico”, quer dizer, se recompõe das alterações e adaptações que aconteceram durante a gestação.

Parece pouco, mas são muitas as mudanças anatômicas que aos pouquinhos vão moldando o corpo da mulher durante os nove meses de gravidez e desfazê-las leva tempo. O puerpério tem início bem estabelecido, logo após o parto, mas o término ainda é muito discutido e controverso. A literatura não tem consenso, a maior parte das referências fala em 6 semanas de duração mas encontramos algumas que chegam a estender este período por até 1 ano.

 

(Nos próximos posts) Vou comentar algumas das alterações mais visíveis e conhecidas para entendermos o que acontece com a mulher nessa entrada na maternidade.

O útero é um órgão muscular que vai se esticando para abrigar o bebê durante os nove meses. Após o parto ele tem a missão de contrair e voltar ao seu tamanho original rapidamente, evitando assim sangramentos exagerados. De cara, nas primeiras 24h, ele já contrai até a altura do umbigo, daí para frente ele irá reduzir 1cm por dia até voltar próximo ao volume que tinha antes da gravidez. A amamentação auxilia muito na contratilidade do útero, durante as mamadas o corpo produz ocitocina que atua na ejeção do leite materno e na contração do útero. Desta forma temos mais um motivo para estimular a amamentação.

A musculatura do corpo então tem um trabalhão! Durante a gestação os músculos ficam um pouquinho mais flácidos, permitindo a adaptação da curvatura lombar da coluna para suportar o peso da barriga. Os músculos reto-abdominais (músculos do “tanquinho”) se estiram e se separam para permitir que o barrigão cresça. Não é de uma hora para outra que toda essa musculatura vai retornar ao tônus e posicionamento de antes. Leva tempo para que tudo volte ao normal e exercícios adequados para a musculatura como o Pilates e a Ioga, bem como o não uso contínuo e indiscriminado de cintas abdominais, são muito importantes para conduzir este retorno da melhor forma possível.

E o pânico da queda de cabelo, o eflúvio telógeno já assusta só pelo nome. É normal que por volta do segundo ou terceiro mês de vida do bebê a mãe perceba uma queda de cabelo importante, isso acontece pelas mudanças hormonais comuns desta fase. Não se assuste, a queda será por um período limitado de tempo que, geralmente, não necessita de cuidados especiais além das vitaminas usadas no período da amamentação.

Para encerrar esta sequência trazemos a estrela principal, o Blues Puerperal! O Blues é muito mais comum do que imaginamos e nada tem a ver com a depressão pós-parto. É aquela melancolia inexplicável que abate essas novas mamães recém-chegadas em casa. Aquele choro sem motivo acompanhado de uma dificuldade de entender como será essa “nova” vida de mãe, mulher, profissional, esposa e todas as tarefas que abraçamos. O Blues acontece nos 15 primeiros dias de vida do bebê e costuma ser comparado a uma neblina, justamente por simular aquela dificuldade de enxergar à frente com clareza, de ter segurança no caminho e nos próximos passos.

Esse período, geralmente, não precisa de medicação mas sim de muito acolhimento! Uma rede de apoio que de fato ajuda e apóia, o entendimento das pessoas ao redor de que aquele período é relacionado às alterações hormonais, o não julgamento e a não comparação daquela nova família com outras são essenciais para os primeiros passos da nova mãe. Entender que cada mulher vive a sua maternidade do seu jeito, sem certos e errados é saber ajudá-la sem julgamentos e sempre com sororidade. ❤️

 

Foto destaque: Laura Alzueta